Eu que me ensinou

“Antes que Deus fizesse a terra e o primeiro átomo da poeira do mundo, quando Ele dispôs os céus, quando Ele traçou um círculo sobre o significado do abismo, quando Ele fixou as nuvens no alto, quando pôs os fundamentos da terra, Ela (Sophia) estava trabalhando com Ele. E todos os dias Ela achava suas delícias em brincar sem cessar em sua presença encontrando sua finalidade entre os filhos dos homens.” Provérbio de Salomão.

Estariam elas, as crianças, desde sempre em sua iniciação de pertencimento à sua humanidade, cientes de que Sophia, a Sabedoria, sabia brincar como elas brincam, deliciando-se sem cessar diante da criação?

Ao brincar com total entrega à Kalimba, instrumento musical que Ayume nos seus cinco anos dedilhava com muita calma descobrindo sons que iam se tornando cada vez mais harmoniosos, perguntamos onde ela havia aprendido a música que emanava de suas mãos. “EU QUE ME ENSINOU”, afirmou ela com naturalidade, continuando a brincar.

Repetidas vezes ouvimos essa fala que é a fala de todas as crianças em resposta ao adulto curioso em saber o processo que se passa dentro delas enquanto inventam as suas brincadeiras. Habitante de um tempo sem tempo, esse EU possui uma fluência ilimitada. É essa atmosfera que envolve o adulto frente a uma criança que está brincando. Conceitos e preconceitos desaparecem como se, de repente, houvesse uma mudança do estado de consciência, e esse EU capaz de suspender o tempo e recriar o espaço penetrasse no ser adulto e o religasse aos mistérios da Infância onde habita um modo de ver o mundo que está sempre a desassossegar os saberes e poderes estabelecidos. Segundo Anne Griswold Tyng:

“A evolução do cérebro em direção à consciência humana está ligada diretamente à percepção do espaço. [...] A liberação do braço e da mão de um uso exclusivamente motor e a sua função de agarrar e levar objetos aos olhos e à boca, juntamente com a alteração correlativa dos eixos visuais em paralelismo, amplificando e acrescentando bastante a visão estereoscópica, são tidos como o grande momento de avanço para o nível humano do cérebro.”

O andar sobre os pés se converte no homem em uma peculiaridade fundamental que determina toda sua estrutura. Os pés foram se transformando paulatinamente em um órgão de apoio, e, finalmente, sem auxílio das mãos, as pernas passaram a sustentar, em posição mais ou menos vertical, o corpo humano, enquanto as mãos passaram a especializar-se definitivamente em novas funções. As funções que as mãos foram descobrindo determinaram a extraordinária evolução da mão humana que se converteu em instrumento de toda a classe de atividades, desde as mais elementares operações as mais complexas. Os múltiplos contatos que a mão vai estabelecendo com a natureza estimulam tanto o desenvolvimento da sensibilidade quanto o seu desenvolvimento como órgão cognitivo.

É no tocar constante dos objetos com as mãos que a criança aprende a distinguir as diferentes qualidades sensíveis e distintas dos objetos da natureza e dos objetos elaborados pelo homem. A atividade de uma criança em direção ao contato com elementos do mundo externo nasce de uma unidade sensório-motora. Esse movimento acontece dentro de uma circularidade, onde não existe separação nesta unidade: é o individuo como um todo que entra em ação. O resultado desse movimento gerado por uma intenção, uma vontade singular da criança, torna-se simultaneamente uma aquisição nova no repertório de ações que ela vai conseguindo realizar.

Uma das primeiras fontes de autoestima é a experiência de um bebê quando se dirige para aquilo que quer pegar e percebe que pode fazer coisas por si próprio. Esse movimento pode ser observado ao longo de toda a infância no contínuo e persistente gesto que o corpo da criança vai expressando, ainda nos braços do adulto, seja apontando com as mãos para o objeto ou o lugar para onde quer chegar, seja movendo o próprio corpo para alcançar sua meta. E, ao alcançá-la, estampa-se em sua fisionomia a satisfação de uma intenção realizada.

É constante esse exercício de direcionar o movimento, processando experiências corporais que vão estabelecendo o elo entre o mundo interno e externo, exercitando a interface entre a intenção do ato e sua realização. O olhar amoroso de aprovação e admiração das pessoas próximas à criança são fatores decisivos na construção da autoestima neste período da Infância. Quanto maior a criança fica, seu desenvolvimento depende de respostas positivas às situações do seu cotidiano.

As brincadeiras surgem naturalmente como oportunidades de experimentação que vão definindo, no processo, a apropriação de um conhecimento e domínio da sua relação com o ambiente externo tornando-se cada vez mais segura de si mesma. A cada ano que passa, vamos observando a crescente determinação das crianças em ocupar o lugar que lhes é devido, demonstrando para si próprias e para os que lhes estão próximos o quanto conseguem realizar suas necessidades sozinhas. Frequentemente, numa atitude de querer ajudá-las em situações que, para nós, adultos, sentimos a necessidade de estar próximos, escutamos: “Eu quero fazer sozinha!”, ou, simplesmente: “ Deixe, que eu sei fazer sozinha!”. Nesses momentos, nós adultos devemos colocar a confiança em exercício e voltar a atenção às possíveis e infinitas conquistas que diariamente as crianças vão desenvolvendo no seu repertório pessoal de sobrevivência. É comum o adulto minimizar a capacidade que a criança tem de buscar soluções próprias em respostas às suas necessidades.

Os verbos pular, saltar, subir, descer, escorregar, equilibrar, puxar, empurrar, rolar, correr, trepar, deslizar, caminhar e outras tantas IN-CORPO-R-AÇÕES ampliam e flexibilizam a relação da criança com o espaço físico, repercutindo diretamente no desenvolvimento da psique infantil. Insistentes e determinadas, as crianças conjugam esses verbos, desafiando o próprio corpo a enfrentar o ambiente externo, inventando obstáculos cada vez mais concretos e complicados, instigando a si próprias a descobrirem novos recursos corporais até então pouco utilizados.

Os desafios brincados a cada dia são acrescidos de novas modalidades, inventadas espontaneamente por essa pulsão interna de expansão do EU-CORPO, envolvendo a alegria inata à emoção da conquista, em que os limites e os medos são vividos e ultrapassados a cada entrega à experimentação. Essas ações corporais, essa verdadeira conjugação de verbos da infância concretamente experimentados no corpo, serão vividas em níveis cada vez mais complexos de combinações que simultaneamente vão constituindo segmentos importantes para o desenvolvimento da capacidade de abstração que terá seu início mais tarde, por volta dos onze anos, segundo Jean Piaget.

O repertório de brincadeiras da cultura da criança é a forma viva de uma inteligência do corpo que antecede o próprio pensamento e traz dentro de seus gestos contribuições significativas para o desenvolvimento da consciência. Uma das principais características da consciência é estar constantemente revelando a si mesma, e, nesse sentido, as formas expressas traduzem no espaço movimentos da psique humana.

Esses desafios, portanto, inicialmente centrados na ação expansiva e eminentemente concreta através do corpo, constituem ferramentas importantes no caminhar da criança em direção às suas conquistas no plano mental.

Ao longo da história, a humanidade vem construindo um fantástico acervo de experiências na sua relação com o espaço, e é nele que as crianças de todo o mundo ritualizam suas brincadeiras. A exploração do corpo no espaço define um vasto repertório de brincadeiras que surgem a partir do imaginário das crianças. Não sendo aleatórias, as brincadeiras são formas de dinamismos que se vinculam a comportamentos ancestrais, expressando conexões entre o ser vivo e seu meio, cujas formas atuais são, em sua maioria, transformações criativas de formas arcaicas. O corpo é, sem dúvida, a base estrutural que exterioriza uma multiplicidade de movimentos nos levando a acreditar na presença de uma gramática gestual que se cumpre dentro do repertório das brincadeiras vivenciadas por diferentes crianças em diversas situações.

Olha! Eu consegui! Eu fiz sozinho!

É comum ouvirmos a emissão de um chamado imperativo: “Olha!”. E se o adulto não escuta, esse verbo é repetido até que a criança receba esse olhar que acolhe o momento especial em que algo novo foi experimentado, seja visualmente, seja corporalmente. O olhar da criança nos momentos de suas novas conquistas procura uma sintonia imediata com o olhar do adulto, convidando-o a compartilhar do seu entusiasmo frente a uma situação em que se configura um passo adiante em seu desenvolvimento. As crianças em sua maioria têm conhecimento dos momentos em que alcançaram um degrau novo em relação ao que se encontravam anteriormente.

As necessidades do corpo de uma criança pertencem a uma biologia de adaptação ao meio ambiente, e os gestos das brincadeiras têm sintonia direta com a história desse corpo adequando-se à Terra. A brincadeira envolve as tentativas da criança de buscar harmonia e completude dentro de si mesma, respondendo a uma pulsão expansiva que lhe pede incessantemente por desafios, atividades autopropostas que acordam dentro delas novas possibilidades.

O repertório das brincadeiras tradicionais traz a riqueza de suas variações construídas ao longo da infância por corpos que foram se descobrindo em múltiplas formas de responder às suas necessidades de equilíbrio, de ritmos, de orientação e flexibilidade expressos espontaneamente no contato de sua força vital com o mundo ao redor. Esse repertório é revivido, reapresentado e recriado pelas crianças quando elas se encontram em espaços onde é possível brincar em paz.

É interessante notar que as brincadeiras, uma vez incorporadas por uma criança ou um grupo de crianças, rapidamente se espalham, quase instantaneamente, surgindo aqui e ali com pequenas alterações, reconhecendo-se a sua presença em diferentes lugares e épocas. A riqueza de suas variações é construída como se elas participassem de uma rede implícita de relações. Seria possível imaginar que as crianças convivem com uma rede de transmissão “não local” que alimenta a sua infância? Estariam as crianças tocando as singularidades com que a alma se revela? Ou estamos apenas constatando a presença de arquétipos como padrões representativos do impulso criativo latente na espécie humana em sua necessidade de exteriorização? Nossas indagações que se entrelaçam continuamente com as nossas observações são inúmeras.

São muitos os momentos em que presenciamos movimentos espontâneos que brotam de camadas muito profundas, revelando gestos que nos confirmam a presença de um ser que está ali encoberto, esperando o instante propício de se revelar. É nesse exato momento que o brincar cumpre sua função transcendente. Como nos disse uma criança, referindo-se a uma situação que havia vivenciado: “É tão grande que não dá para explicar”. Assim também nos sentimos quando buscamos definir o alcance de significados que o brincar vem nos permitindo presenciar enquanto uma linguagem que desvela a alma.

O ritmo e o equilíbrio se encontram intensamente presentes nos desafios que as crianças se propõem a experimentar corporalmente. Temos observado a frequência com que as crianças entre dois e três anos continuadamente inventam brincadeiras de girar sobre si próprias, buscando de uma forma prazerosa o encontro com o centro de gravidade do corpo. Como pequenos piões, elas rodam, rodam e rodam sobre si mesmas, chegando a perder o equilíbrio, experimentando a sensação de tontura própria desse movimento. Constatamos também que esses giros alteram os pontos de apoio que dão sustentação à posição vertical produzindo soltura do tônus muscular e consequente relaxamento que se faz acompanhar pelos sons das risadas gostosas que brotam das crianças. Há uma infinidade de brincadeiras de roda, de giros e rodopios que as crianças solicitam a todo o momento, por se tratar de um desafio corporal que mobiliza outra relação do corpo no espaço. Dessas experimentações vão brotando movimentos que em ritmos se expressam. Acompanhados pela música, surge a dança num corpo que brincando, desloca-se no espaço ritualizando de forma livre e espontânea as múltiplas direções que compõe o espaço.

O corpo da criança irradia uma alegria que se expressa como energia pura, força viva, ágil e livre de um ser em movimento. A realização revelada nesse corpo que brinca carrega o mistério da espontaneidade e naturalidade como linguagem humana de origem.

O poeta Manoel de Barros confirma a importância da experiência da infância quando diz: “Língua de brincar é um dialeto infantil [...] O meu conhecimento vem da infância. É a percepção do ser quando nasce. O primeiro olhar, o primeiro gesto, o primeiro tocar, o cheiro enfim. Todo este conhecimento é o mais importante do ser humano. Pois é o que vem pelos sentidos. Então esse conhecimento que vem da infância é exatamente aquele que eu nunca perdi. Porque os outros sentidos fomos adquirindo porque era quase uma obrigação [...] O mistério é a coisa mais real. Nós somos incompletos, só podemos ser completados pelo mistério.

A presença do espontâneo na cultura da infância envolve por certo essa atmosfera do mistério que nos completa, expresso de uma forma simples e clara em situações em que somos surpreendidos pelas crianças: “Onde você aprendeu isso, menino?” “Eu que me ensinou!”

Aqui se instala a perplexidade do adulto diante de tamanha segurança numa resposta clara e determinada de algo que afirma sua presença como o espírito orientador das crianças, que acreditamos estar contido no que chamamos espontaneidade. Esse eu certamente convive numa sintonia tal que podemos afirmar ser ele uma instância da alma humana que garante na criança o fluxo imprevisível com a qual ela estabelece o contato consigo própria e com seus companheiros em brincadeiras cujo começo, meio e fim inexistem de uma forma linear, ao contrário, fazem parte de um tecido uno, contínuo e complexo.

A imagem que nos vem desse “eu que me ensinou” é da presença de um espírito que, como o vento, sopra onde quer, e ninguém sabe quando vem e quando se vai. Esse “eu que me ensinou” é a ventura e a aventura da criança porque é sempre uma elaboração incomum. A singularidade da capacidade imaginativa da criança nos assusta por se tratar de uma qualidade que não é vulgar e que escapa à nossa mente racional.

É sempre extraordinária e imprevisível a narrativa implícita nas brincadeiras. Ela nos obriga a aprofundar nossa capacidade de ler por dentro o espaço da brincadeira, de onde emergem invenções, descobertas e criações originais que conferem especificidades à história de cada um e simultaneamente à história cultural da humanidade. É o sentir com o corpo, desenvolvendo uma inteligência que não está somente no cérebro, mas que é sensível e corporal.

Haveríamos aqui de partilhar com o professor Agostinho da Silva a sua compreensão sobre o Espírito Santo, que ele diz ser aquela coisa misteriosa que existe no mundo, a que o físico chama de “onda” ou “partícula” e que o não físico chama “o divino”, “o poético”, “o espiritual”; em todas as frases que se usa, seria aquele sopro criador do Espírito Santo. Espírito quer dizer “sopro”, e santo quer dizer “reconhecido”, nada mais. Um sopro reconhecido, a criação.

Quando um homem faz um poema, põe lá todo o palavreado que é conhecido, mas há certa maneira de pôr as coisas que nunca ninguém tinha pensado, vem daí o seu Espírito criador... Portanto, há alguma coisa que é fundamental em toda a vida, em todo o universo, em todo o mundo, em tudo quanto existe, que uns podem ver fundamentalmente sob o aspecto da física, ligado à matemática, e outros podem ver pela intuição, pelo sentimento religioso, pelas capacidades metafísicas, por todas aquelas coisas que fogem à medição da matemática e das equações. Conviver com as crianças é entrar numa aventura com o desconhecido, é penetrar num mundo misterioso onde somos surpreendidos por indagações que a todo o momento nos conduzem a trilhar com coragem e ousadia um caminho onde nos vemos como experimentos da vida, que ao ser vivida vai nos apontando o rumo a seguir com o mesmo entusiasmo e seriedade com que as crianças brincam.

Sem aventura não há entusiasmo, e sem entusiasmo não há vida. A energia liberada pela busca, pela indagação, pelo não condicionamento diante de nossos hábitos educacionais, abre espaço para o insight, provocando a ocorrência de ideias novas, e o convívio diário com as crianças é a força mobilizadora para o desenvolvimento de um trabalho criador.

É justamente o espírito criador que, revigorado na relação criança e adulto, nos leva, como professores, para um mergulho para dentro de nós mesmos, primeiro passo para o convívio com as singularidades da vida e do mundo. Como seres em evolução contínua, trazemos dentro de nós uma história milenar que vai se definindo e se ampliando à medida que nossa individualidade se afirma como o um dentro de um todo. Nosso percurso em direção à aventura da consciência é marcado pela construção que se realiza a cada dia, em cada gesto que traduz o impulso de vida criativa inerente à nossa espécie em busca do aperfeiçoamento. A evolução pode ser construída somente pela consciência livre, sem presunção e depreciação do ser. É preciso que o amor seja reconhecido como a qualidade que funda o social e define a construção de nossa humanidade.

O desenvolvimento biológico de uma criança requer uma vida com vínculos afetivos bem constituídos, uma vez que são esses elementos o núcleo saudável para a formação de uma consciência individual, social e universal do ser humano.

A vida acelerada do mundo contemporâneo vem afastando a criança da atenção dos pais de tal maneira que muitas vezes ela não é vista, não é tocada, não é escutada, ainda que pareça ser. Conhecer o outro é escutá-lo, e essa escuta em primeiro lugar é sensorial, é preciso ter o sentido de presença de um outro corpo em que habita um ser, e junto a ele nos tornarmos receptivos. O ato de escutar é o que nos põe em relação com o outro. Compreendemos que a capacidade de escutar a infância é um exercício bastante complexo e sutil porque se trata do encontro com um outro, um ser desconhecido que é totalmente diferente do adulto e que, justamente por essa qualidade, nos inquieta, nos desafia e questiona os nossos saberes exigindo uma abertura para além do que já sabemos.

As crianças nos levam para uma região onde somos testados a cada momento, e cabe a nós adultos encontrar a resposta adequada num tempo e espaço que comunguem da disponibilidade para o encontro verdadeiro que somente uma relação afetiva madura pode abrigar. Nesse encontro é possível acontecer o respeito mútuo nascido da relação de confiança e amorosidade entre seres essencialmente diferentes. As crianças falam através de imagens que precisam ser decifradas com muita sensibilidade, respeito e atenção. Seu pensamento é analógico e exige de nós uma atenção profunda e amorosa em busca de um encontro de verdade porque inteligente e sensível. A palavra inteligente é aqui usada no seu caráter de “ler dentro”, isto é, ler no “interior”, abrindo-se ao mistério que envolve esse eu que me ensinou.

“[...] é uma criança pequena enclenque e setemesinha mas as mãos que criam coisas nas suas já se advinha – De sua formosura Deixai-me que diga:[...] [...] é tão belo como o sim Numa sala negativa. – Belo porque é uma porta Abrindo-se em mais saídas É tão belo como as ondas Em sua adição infinita – Belo porque tem do novo a surpresa e a alegria. – Como qualquer coisa nova inaugurando o seu dia. – Ou como o caderno novo quando a gente o principia. – E belo porque o novo todo o velho contagia.

Trecho de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Mello Neto.